Archive for abril, 2011
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Querido menino
Querido menino, você fazendo 29 anos? Que coincidência! Eu também tenho 29! Como é que pode, não? Que importa se eu te mudei as fraldas, se te botei pra dormir, cantando “Boi, boi, boi da cara preta/ pega este mnenino que tem medo de careta/ que importa se eu te dei papinha de nenê na boquinha, e consolei o teu choro tantas vezes, se te contei histórias fantásticas, se fizemos bolinhos de areia na praia, se em MG, na fazenda do vovô Tião levamos uma corrida de uma vaca, e tinhas dois anos e eras um “boizinho” de grande e pesado , e eu corri feito uma doida, botando o coração pela boca, e a vaca ficou dando marradas na porteira, mas nós conseguimos chegar lá… e rimos, aliviados por nos termos livrado do perigo, – e se te dei banho no quintal, de mangueira, água gelada num mês de julho, frio pra danar, porque ‘alguém”, (VOCÊ)junto com seus primos Pedrinho, Helena e a irmã Cecília resolveram tomar banho de lama, num buraco aberto para uma piscina, e a as roupas ficaram num estado lamentável,mas VOCÊS FORAM FELIZES, É O QUE IMPORTA.
Então, fazes 29 aninhos! É hora de enfrentar a realidade, pensar no futuro, na filhotinha que Papai do Céu te deu, terminar o teu curso, parar de botar azeitona na empada do próximo, embora tenhas o coração sempre aberto para o outro, ter a consciência tranquila, nada te acuse de indigência, indiferença,incompreensão pra com as dores do irmão(ã),enfim, é hora de aproveitar bem todas as oportunidades que Deus te deu, tua inteligência, tua intuição, tua capacidade de Professor Pardal, que herdaste do teu pai e do teu tio- até onde eu sei, e como Sócrates, ” eu só sei que nada sei”. E é hora também de parar de blá-blá-bla, de te contar sermão, e te dar um beijo e um puxão de orelhas, porque és malvado para com uma vovó que tanto te ama, e não vens nunca me ensinar pela centésima vez como é que se opera esta máquina do Dianho. Deus te abençõe, meu filho, e te cubra de felicidades junto às pessoas que te amam.
Tua vovó de 29 anos
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Crítica Construtiva
Prezados Srs Organizadores da FLIP:Saudações fraternas.Muito saudáveis estes congressos e festivais literários que colocam em indiscutível evidência nossa pátria. É uma nova vertente, saudável , de Turismo. Seremos conhecidos no mundo, não só pela natureza exuberante, nem pela anatomia das nossas passistas, ou pela batida da nossa bossa nova. Não, Mundo! o Brasil também tem cultura! Se vierem aqui saberão ( saberão?)que temos excelentes escritores como Machado, Graciliano, Aluízio e outros que seria longo mencionar; temos músicos tão grandes como os de fora tais Carlos Gomes, Villa Lobos, Mignone, etc. sem falar em José Maurício, com sua humildade pobrezinha, a Arte está no nosso sangue -temos grandes pintores, escultores, temos a Fio Cruz, temos o Inca, tivemos Oswaldo Cruz, tivemos Manuel de Abreu, nem pensar no Pai da Aviação, temos Niemayer… . Mas infelizmente nossos governos não divulgam senão o que está acima grifado. Então os festivais como o da FLIP dão-nos(dão?) a oportunidade de sermos mais conhecidos no mundo, e assumirmos o nosso lugar no Panteão da cultura universal.Seria ideal se os festivais como a FLIP dessem mais apoio aos artistas nacionais. O elenco privilegia intelectuais que nem sempre são tão importantes na sua própria terra, mas que ficam muito honrados em ganharem todas as mordomias para virem faturar às custas de um povo ingênuo e deslumbrado com o que vem de fora. Será que eles, ao voltar para sua casa, nos dão este retorno? São gratos a quem lhes dá tudo: mordomias, prestígio( que às vezes nem têm tanto assim no seu lugar de origem, mas que agora venderão horrores, serão famosos, reconhecidos -tão importantes, que uma nação de tanta gente inteligente se dá ao luxo de babar aos seus pés?Veja-se o elenco de “artistas” convidados. Um ou dois brasileiros que participam são escolhidos entre os medalhões. Entre aqueles que já têm a seu favor a midia. Que não precisariam de publicidade.É preciso renovação. Há tantos e bons escritores que não têm esta exposição e que teriam muito a dizer, muito a contribuir. Dou um doce a quem me provar que qualquer evento desses lá fora privilegie tanto os escribas brasileiros! Nunca vejo “lá fora” propaganda da nossa cultura. Continuamos a ser vistos como índios selvagens, um país de bárbaros, onde há cobras enormes passeando nos calçadões de Copacabana, e perigosas onças nos nossos parques públicos, além de marginais perigosos e ladrões por todo lado. Quanto á cultura é preciso ir buscar lá fora uma meia-dúzia de bons-vivants, que ficarão ” eternamente” gratos por aumentarmos os seus lucros, que lançarão seus livros aqui, fazendo o pé-de-meia dos editores gulosos.Terão sucesso, e desejo-lhes muito mais. Mas fica o meu protesto.Rejane Machado
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